A tentativa de massacre de Aécio Neves

Poucos momentos podem ser mais demonstrativos do lado danoso da ação da internet do que os últimos dias em torno do episodio que envolveu o senador Aécio no Rio.

O episódio suscita reflexões que todas as pessoas de bem, especialmente os que trabalham na área da imprensa devem fazer.

Há cinco dias o ex-governador de Minas vem sendo bombardeado de todos os lados por versões, as mais negativas e fantasiosas, que surgem, criam o desgaste, são desmentidas pelos fatos e, magicamente, desaparecem dando lugar a outras versões que, após durarem algumas horas, ainda que desmentidas, cumprem o seu papel de gerar novos desgastes.

Esse é lado “b” da internet. Não o lado do conhecimento, da criatividade, da interatividade. Mas o lado da calúnia, das versões inventadas em gabinetes partidários e, infelizmente, legitimadas, talvez por descuido, por pessoas sérias.

O caso merece uma retrospectiva por que dificilmente vai surgir em curto horizonte de tempo outro caso cuja violência pessoal se configure de forma tão clara.

Os fatos:

Na madrugada do dia 17/04, o senador Aécio Neves parou numa blitz do Rio de Janeiro. Sua carteira estava vencida há um mês. O documento ficou retido e, seguindo instrução do agente, providenciou um motorista habilitado a dirigir o veículo até seu apartamento a poucas quadras do local. Como já havia outro motorista à frente do veículo, julgou desnecessário fazer o teste do bafômetro.

Ele reconhece que errou ao não checar a data do vencimento da carteira. Na opinião de várias pessoas, errou também ao não fazer o teste do bafômetro, embora ele não seja obrigatório. O engraçado é que muita gente que acha que ele deveria ter feito o teste, reconhece que, se fosse consigo, não o faria.

Não vou entrar no mérito se ele deveria ou não ter feito o teste. O que eu vou dizer é que, diante da circunstância, ele não fez nada de ilegal. Não fez nada diferente do que muitos de nós faríamos na mesma situação. Ele não deu “carteirada”, não fugiu do local, não atropelou ninguém, não estava usando carro oficial, não estava rodeado de seguranças… Estava dirigindo o seu carro, com a sua namorada, há poucas quadras de casa. Tudo o que ele fez encontra amparo na lei.

É claro que o assunto seria notícia no dia seguinte. Mas algumas coisas chamam atenção. Seria realmente assunto para o Fantástico, nos termos dramáticos em que a notícia foi dada? O fato justifica quatro dias de manchetes de jornais?

Diante do fato ocorrido começaram as versões plantadas pela oposição a Aécio em Minas para tentar transformar o episódio num round de guerra política. Num exemplo do que de pior a política pode gerar.

Habilitação  vencida

O primeiro gesto da oposição mineira  foi plantar na internet a versão  de que a carteira de habilitação de Aécio não estaria vencida, de que foi uma invenção para justificar a não realização do teste do bafômetro.  Para confundir, a oposição passou a apresentar a data de expedição de uma segunda via da carteira de motorista do senador como data de emissão do documento.

A internet entrou em êxtase.

Blogs do PT, comandados pelos seus blogs-mães, começaram a disseminar a versão que foi parar nos blogs mais conhecidos, mas também alinhados ao PT.

Em Minas, os ataques uniram ferrenhos adversários do senador na política local. De um lado, a banda tocou sob a batuta do deputado estadual do PT  Rogério Correia e, do outro, sob a coordenação do ex-marido da presidente Dilma Rousseff, Cláudio Galeno, o homem que cuida da vida digital do Ministro Fernando Pimentel, através do site  “Amigos do Pimentel”.

Para reforçar a versão, em mais um péssimo exemplo de mistura entre o público e o partidário, o Twitter oficial da Tv Brasil  acusou o senador de “mentiroso” e colocou um link para um blog vinculado ao PT.

Pouco adiantou a nota oficial do Detran/MG informando os fatos e atestando que o documento estava realmente vencido há um mês.

Ou seja, que o senador falara a verdade.

O Carro

Desmentida esta versão, tentou-se um outro alvo de desgaste do senador: o fato do carro que ele dirigia não estar relacionado na sua declaração de imposto de renda, mas  pertencer à retransmissora da rádio Jovem Pan em Belo Horizonte, empresa da qual ele passara a fazer parte como sócio em dezembro passado.

Começa um novo round. Novas mentiras.

O senador pode ser sócio de uma emissora de rádio? Pode!

A rádio pertence à família dele há quase 20 anos. O carro está corretamente registrado em nome da empresa? Está!

Então qual é o problema? Nenhum, mas a caça à raposa – ou ao tucano, como queiram – ainda não acabaria.

Blogs afirmavam que ele não poderia ser sócio e não adiantavam as explicações e cópias da legislação disponibilizadas. Ninguém observou o fato de que o senador entrou na empresa  de forma correta, com contrato registrado publicamente na Junta Comercial. Ou seja, sem nada a esconder.

O curioso é que os ataques mais violentos contra o fato do senador ser sócio da empresa partiram justamente de políticos de partidos que possuem emissoras de rádio. Diversos políticos do PT e do PMDB de Minas possuem emissoras de rádio em nome próprio ou de terceiros.

O deputado Antônio Júlio (PMDB), Líder da Minoria e um dos mais eloqüentes nos ataques a Aécio, por exemplo, é sócio de uma emissora de rádio em Pará de Minas, que tem capital declarado de apenas R$ 15 mil.

É interessante destacar que a participação dele na Rádio Espacial Ltda. consta de sua declaração de bens junto ao Tribunal Eleitoral (TSE) a partir de 2010. Na declaração de bens de 2006 ela não existia. A dedução é de que o deputado assumiu, pelo menos de forma oficial, a condição de sócio da emissora durante o mandato de deputado estadual.

Curiosamente, a  participação do deputado na sociedade da emissora, apesar de constar da sua declaração de bens apresentada junto ao TSE, desde o início de 2010, ainda não foi  informada à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Os registros da Anatel indicam as senhoras Vânia Maria da Silva Faria, esposa do deputado e administradora da emissora, e Leda Silva como sócias.

As marcas dos carros

Vencida essa etapa, e esclarecido que o senador podia ser sócio da empresa, a oposição foi criativa para não deixar o assunto morrer: será que a rádio tinha dinheiro pra comprar esse carro?

A empresa informou  então o seu faturamento, que demonstra que  possui capacidade para adquirir os veículos que possui, e ofereceu todas as Informações  solicitadas  chegando a apresentar  até mesmo o ano de fabricação dos  veículos.

Em seguida, tentando ainda lançar novas suspeitas acusaram a emissora de só ter quitado o IPVA na data de 20/04.

A empresa demonstrou que o pagamento havia sido feito na data correta, em janeiro de 2011, em parcela única:

Depois,  ainda mais uma tentativa: insinuaram  que o investimento que o governo de Minas fez na rádio que pertence à irmã do ex-governador seria extraordinário, algo que fugia  à realidade do mercado publicitário local. Mais uma surpresa. Num país em que a política é para muitos sinônimo de negociatas, dados oficiais do governo revelam que a rádio Jovem Pan, apesar de líder no segmento da juventude na Região Metropolitana de BH não ultrapassou a casa de 1% (um por cento) dos recursos destinados aos investimentos em rádio em 2010. Quase 10 emissoras da capital, por exemplo, receberam mais recursos.  Além disso, em 8 anos, a emissora, ao contrario de diversas outras, não recebeu nenhum patrocínio do governo do estado ou das empresas públicas  estaduais.

Avião

O esforço da oposição em confundir não parou por aí. Alguém divulgou a foto de um avião que pertencia ao padrasto de Aécio, o banqueiro Gilberto de Andrade Faria. Falecido há dois anos e esposo de sua mãe por 25 anos. O avião chega a ter as iniciais  do dono na cauda GAF .  Hoje pertence a uma empresa de táxi aéreo da família dele  .Familiares usam eventualmente o avião sem custos.

O senador já usou o avião? Sim. Algum problema? Nenhum!

Mas como é preciso transformar tudo em insinuação o assunto é empurrado na rede como se houvesse alguma coisa de errado. Pra dar uma forcinha vale mentir um bocado e a oposição começou a divulgar que o avião seria da emissora de rádio  da irmã do senador.

A manipulação da autuação

Depois de diversas tentativas de desgaste do senador, nenhuma com amparo na realidade, o jogo ficou ainda mais rasteiro e capaz de merecer a indignação de todas as pessoas de bem.

Na noite do dia 19/04, o deputado Rogério Correia do PT de Minas, responsável por diversas das versões plantadas, iniciou a publicação na internet de uma série de tuites nos quais anunciava que na tarde seguinte revelaria uma bomba que acabaria com  Aécio (@MGsemcensura).

No dia  seguinte (20/04), o deputado apresentou a sua bomba.

O site do Detran/MG que trazia a ocorrência da blitz que envolveu o senador mineiro trouxe no campo de “Descrição” da Autuação a expressão “embriagadoödrogado”. O deputado divulgou para a sua rede a informação que em segundos proliferou na blogosfera petista.

O Detran/RJ veio a público e em nota oficial explicou que quando uma pessoa não faz o teste do bafômetro, por qualquer razão, é autuada no artigo 165 e a descrição da infração é padronizada.

Quer dizer que a mesma DESCRIÇAO vai sair caso eu ou você deixemos de fazer o teste do bafômetro. Quer dizer que independente de você ter ou não incorrido naquela infração, ela vai estar escrita na sua ocorrência. É padrão!

O jornalista Ricardo Noblat mostrou ainda que o sistema no Rio apresenta uma definição padrão diferente,  e que quando o auto de infração migra para o site do Detran/MG, é que  automaticamente, há uma mudança na tipificação da ocorrência que gera um novo padrão de inscrição da autuação.

De novo, se você ou eu, por qualquer razão, não fizéssemos o teste do bafômetro em outro estado, quando a ocorrência fosse enviada ao DETRAN de  Minas, a mesma descrição  constaria da ocorrência.

A questão que causa estranheza e chama a atenção é como o deputado do PT sabia, na véspera, que no dia seguinte a ocorrência surgiria nesses termos no site do Detran/MG? É padrão mesmo ou é armação?

Qualquer que seja a hipótese correta, o deputado do PT demonstrou a baixaria da política. Se ele sabia que era um formulário padrão, mentiu para tentar criar um novo desgaste.

Esse é um exemplo da prática política que o Brasil não merece ver. Agindo de forma tão irresponsável, a oposição inventa, insinua, ataca, mas, sobretudo, mente. Tudo para tentar enfraquecer o senador Aécio e tentar comprometer a sua trajetória de correção e coragem  que o país todo conhece.

A oposição parece que vai continuar apostando na desinformação das pessoas para espalhar mentiras sobre o senador acreditando que dessa forma fortalece o seu projeto político…

Onde isso vai parar?

A consciência das pessoas de bem que assistem a essa tentativa de assassinato moral está alerta!

Ações como essas depõem contra os seus realizadores porque, depois que tudo passar vai ficar claro o que era verdade e o que era mentira.

Em momentos como esse, muita gente e em especial o Senador devem estar se perguntando se vale a pena a opção pela vida pública. Uma coisa é você assumir as conseqüências dos seus erros, outra é isso que se viu essa semana.

No entanto, apesar de ser lamentável a forma como esse episódio vem sendo tratado, uma coisa ninguém pode negar: o tamanho do Aécio Neves. Parar o país desse jeito por tão pouco…

Deputado Estadual João Leite (PSDB)

O artigo 165:

O artigo 165, do Código Brasileiro de Trânsito é o que tipifica o condutor embriagado ou sob efeito de entorpecentes.

Só que no momento de preencher o auto de infração, o agente precisa classificar a autuação dentro de dois códigos distintos: o 516-91, para aqueles classificados como suspeitos de estar embriagado ou o 516-92 para aqueles que podem estar sob o efeito de entorpecentes.

No Rio de Janeiro, dentro da Lei Seca, independente das razões que levam um motorista a não realizar o teste do bafômetro, todos são obrigatoriamente enquadrados no artigo 165, e a tipificação é obrigatoriamente feita dentro do código 516-91.

Em Minas eles não fazem assim, apesar de também ser obrigado a seguir o mesmo padrão de códigos que é nacional. Aqui eles colocam todo mundo enquadrado no artigo 165, no código de infração 516-9 – todo mundo fica inscrito como “embriagadoödrogado”.

Em tempo: a descrição da ocorrência não significa que o motorista tenha incorrido na infração relacionada.

O dia 22 de abril trouxe novas tentativas dos adversários do senador Aécio de fraudar a opinião publica com novas mentiras. Veja:

Site do Detran/MG

Espaços na internet ligados ao PT e ao ex-candidato Helio Costa se aproveitaram do fato do site do Detran/MG estar for a do ar para manutenção feita pela Prodemge, entre a zero hora de sexta e o meio dia da mesma sexta-feira (22/04), para divulgar mais uma mentira: a de que o Detran/MG teria tirado do ar os dados referentes à autuação do senador Aécio.

Para se ter uma idéia da manipulação política que está ocorrendo, basta dizer que foi o blog oficial do PT na Assembléia Legislativa que se encarregou de disseminar a mentira:

Na verdade, todo o sistema saiu do ar, de forma planejada, para a manutenção que já estava programada antes da ocorrência do episódio. E retornou naturalmente, como previsto, com todas as informações, inclusive as relativas ao senador.

Site do Detran/RJ

Ainda na farsa Detran, alguns blogueiros petistas acusaram também o Detran do Rio de Janeiro de ter sumido com os dados do senador Aécio. Nova mentira.

O carro dirigido pelo senador Aécio, na noite de 17/04, possui 4 autuações pelo Detran do Rio. Duas relativas ao episódio já conhecido (uma pela carteira vencida outra por não fazer o teste do bafômetro) e outras duas ocorridas em datas anteriores que se referem a exceder em até 20% a velocidade permitida.

No caso dessas duas, só há o registro da ocorrência, sem a identificação do motorista, uma vez que, como a empresa ainda não recebeu as informações da multa, não pôde identificar quem estava dirigindo o carro nos dias e horários indicados.

CODEMIG

Alguns blogs oficialmente ligados ao PT tentaram ainda voltar ao assunto do avião, desta vez embalados por novas mentiras.

Depois que ficou claro que a mãe do Senador foi casada, em segundas núpcias, com o banqueiro Gilberto Faria por 25 anos e que o empresário tinha, dede 1996, um avião no qual viajam, eventualmente, desde aquela época, familiares do empresário e da sua esposa e que não há nada de errado nisso, criaram novas mentiras.

Na nova farsa, chegaram a apresentar o presidente da Codemig, empresa estatal mineira, Oswaldo Borges da Costa Filho, como empresário do ramo de mineração (ele não é!).

Para tentarem criar a nova farsa lançaram mão de novas mentiras: disseram ser particular empresa que na verdade é pública, como no caso da Companhia Mineradora Pirocloro de Araxá. E chegaram a se referir a empresas que nem existem! A Companhia Mineradora de Minas Gerais não existe. Era apenas o antigo nome da Codemig.

Na obsessão de atacar a imagem do ex-governador não se incomodam nem de manchar a biografia de outras pessoas. Acusaram o empresário Osvaldo Borges da Costa Filho de ser contrabandista utilizando matérias de internet que já haviam sido exaustivamente desmentidas na época.

A matéria divulgada pelo PT traz links para processos cujos números não existem ou que se relacionam a fatos que em nada dizem respeito ao presidente da estatal, como pode ser observado aqui.

Alem disso, veja aqui a retratação dessa falsa reportagem feita pelo seu próprio autor:

Atualizado em 23/04/2011

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