Governador Anastasia e senador Aécio Neves se reúnem em Belo Horizonte

Foto Wellington Pedro / Imprensa MG

O governador Antonio Anastasia e o senador Aécio Neves estiveram reunidos nesta sexta-feira, dia 11, no Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte. Durante o encontro, eles conversaram sobre assuntos de interesse do Estado discutidos no Congresso Nacional.

Em entrevista após a reunião, o senador Aécio Neves – que integra a comissão especial sobre reforma política criada no Senado -,  disse que a pauta de discussão foi ampla e abrangeu a avaliação da composição do governo estadual, o cenário nacional e a reforma política.  Destaque também para a agenda de Minas junto ao governo federal.

“Lamento que não tenha havido até agora uma posição firme, clara do PT, partido que ganhou as eleições, na defesa daquilo que interessa realmente a Minas Gerais. Eu vejo os partidos se reunindo muito, os partidos do governo, em especial o PT, para distribuir cargos, para dividir cargos e não vejo uma ação consistente de cobrança em relação, por exemplo, aos investimentos do metrô, aos investimentos nas nossas rodovias federais, em especial no Rodoanel, os investimentos no nosso aeroporto”,  ressaltou o senador.

Ouça entrevista do senador Aécio Neves

http://www.psdb-mg.org.br/midias/download/id/3057

Abaixo, leia transcrição da entrevista

Entrevista senador Aécio Neves (PSDB/MG)

Assuntos: demandas Minas Gerais, corte no Orçamento, salario minimo, PSDB

no Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte após reunião com o governador de Minas Gerais Antonio Augusto Anastasia

Data – 11/2/11

Sem revisão

O que vocês conversaram?
Na verdade, eu vim fazer mais uma visita ao governador Anastasia e uma agenda realmente ampla, passando pela avaliação da composição do governo. O governador me colocou algumas questões que estão aí ainda para serem resolvidas. Sempre a responsabilidade e a autoridade é dele, mas ele tem compartilhado de forma, enfim, muito solidária essas decisões e acho que está fazendo tudo de forma correta, sem açodamento, privilegiando sempre a qualidade técnica daqueles que indica e buscando, quando possível, a compatibilização também com o atendimento à nossa base política.

Eu acho que o governador Anastasia começa o governo, já um governo organizado numa velocidade grande. Há um conjunto de ações que serão desenvolvidas, a meu ver, com grande rapidez. Houve uma reunião hoje pela manhã em que alguns desses sinais ficaram muito claros, mas conversamos também sobre política, sobre o cenário nacional, sobre reforma política – como vocês sabem, vou participar dessas discussões em relação à reforma política. É preciso que tenhamos, primeiro partidariamente, alguma unidade em torno dos principais temas relativos à reforma política, para que possamos construir maiorias no Senado e na Câmara. Eu digo e repito que seria um equívoco ficarmos aguardando consensos absolutos em torno de temas tão complexos e que interessam tão de perto àqueles que vão decidi-las, que são os parlamentares, portanto, a minha proposta dentro da comissão, a primeira delas, é que elejamos os temas que são cruciais, que seriam o âmago, o coração da reforma política e coloquemos esses temas em plenário mesmo sem adquirirmos o consenso necessário. Temas, por exemplo, como o financiamento público de campanha – que eu pessoalmente sou favorável -, o voto distrital misto, é uma proposta que eu defendo, mas outras propostas já surgem, como o “distritão” que é uma proposta apresentada pelo senador Dorneles em que os mais votados seriam os eleitos em cada Estado. Seria, na verdade, cada Estado compreendido como um distrito e todos parlamentares disputariam e seriam eleitos os mais votados. Eu prefiro o distrital misto, porque ele preserva também as estruturas partidárias, ele fortalece os partidos políticos e permite que uma parcela do Parlamento seja mais identificada com as bases, com as diversas regiões do país. A cláusula de desempenho, agora discutida sob forma de emenda constitucional, deve ser também um dos temas discutidos. A cláusula de desempenho é aquela que permite o funcionamento parlamentar apenas daqueles partidos que tenham respaldo junto à sociedade. Portanto, que sejam, de alguma forma, representante de um segmento de pensamento no Brasil. Hoje, temos no Parlamento, apenas no Parlamento, mais de 20 partidos funcionando, muitos líderes de si próprios e nós sabemos que isso dificulta as negociações em torno de outros assuntos, em torno das outras grandes reformas. Se conseguirmos viabilizar a reforma política, e eu também sugerirei que o prazo para envio dessas propostas a plenário seja o primeiro semestre, portanto, no máximo já na largada, no início do segundo semestre – o primeiro semestre seria da discussão, da definição dos temas para que fechemos o primeiro semestre já com a pauta a ser enviada ao plenário. Esses seriam, a meu ver, os temas centrais. Alguns outros surgirão, mas é um tema que interessa a Minas Gerais. Interessa a todos aqueles que fazem a vida pública.

Conversamos também, obviamente, sobre a agenda de Minas junto ao governo federal. Lamento que não tenha havido até agora uma posição firme, clara do PT, partido que ganhou as eleições, na defesa daquilo que interessa realmente a Minas Gerais. Eu vejo os partidos se reunindo muito, os partidos do governo, em especial o PT, para distribuir cargos, para dividir cargos e não vejo uma ação consistente de cobrança em relação, por exemplo, aos investimentos do metrô, aos investimentos nas nossas rodovias federais, em especial no Rodoanel, os investimentos no nosso aeroporto. O que estou percebendo é que estamos vendo reeditada aquela mesma postura anterior, da postergação. Portanto, é hora do PT e dos parlamentares do PT, a direção do PT de Minas Gerais exercerem o mandato que receberam e cobrar do governo federal, fazer ver a sua força política, se é que ela existe. Já ficaram pouco contemplados na composição do governo, acho que essa é uma página virada, mas que, pelo menos, eles possam nos ajudar, porque estaremos denunciando, cobrando do governo federal as ações que dizem respeito ao desenvolvimento do Estado. Volto a dizer, espero e acredito que a presidente da República terá uma relação republicana com o Estado de Minas Gerais, mas, estou no aguardo, digo até com alguma ansiedade, para anúncios de investimentos, de cronogramas de investimentos, de definição de projetos, de prazos para licitações dessas que são obras estruturantes e que, infelizmente, nos últimos oito anos, não andaram um passo sequer.

E, agora, com esse corte de R$ 50 bilhões?
É extremamente preocupante. É a demonstração de que aquilo que falávamos na campanha eleitoral era verdade. Apresentou-se um Brasil sem necessidade de ajuste fiscal, em pleno processo de expansão, com investimentos ampliados em todas as áreas, e aquilo que estamos encontrando, hoje, é um Brasil com um problema grave nas suas contas externas, um problema que gera a necessidade de um ajuste fiscal mais duro. Esse anúncio dos cortes é o retrato claro, é o reflexo disso. Acho que não precisa nem que nós da oposição acusemos ou digamos que, na campanha, houve uma certa ilusão da população brasileira. O próprio PT, com essas medidas, demonstra que o Brasil apresentado verde a amarelo e, de certa forma, cor-de-rosa para os brasileiros é diferente desse Brasil real. Estamos, sim, com uma pressão forte em um processo inflacionário, isso é uma realidade. Vamos ter que discutir cada uma das questões relativas a salário, relativas a investimentos. Agora, o fato é concreto. O corte desses R$ 50 bilhões, se concretizado, vamos aguardar, impactará seriamente em investimentos estruturantes. Nós, do PSDB, no Senado, estaremos assumindo na próxima semana a Comissão de Infraestrutura e faremos um acompanhamento permanente, um acompanhamento quase que diário, de todos os investimentos do governo federal no que diz respeito a sua transparência, mas, também, no que diz respeito às prioridades que o governo vai estabelecer. As obras do PAC serão, obviamente, objeto de um acompanhamento, até para estimular o governo, para do ponto de vista gerencial ser mais efetivo, ser mais eficaz.

Senador, em relação ao salário mínimo. Qual é a posição do senhor, da oposição? Parece que a oposição está meio sem cara para vir e falar é isso e vamos brigar. Está discutindo dentro da oposição…
É natural. Vamos discutir esse e vários outros temas. Só discutem aqueles que pensam. É natural que existam posições ainda não convergentes. Chegaremos a uma posição até o início dessa semana. Pretendo ter, no início da semana, uma reunião ao lado de outros senadores do partido com dirigentes de algumas centrais sindicais, em especial a da Força Sindical. Acho que é um caminho correto. De alguma forma, temos uma aliança em relação à votação do salário mínimo. Acho que é possível, acho que há algum espaço para um aumento em relação aos R$ 545, agora, temos que compreender que o governo tem uma base extremamente ampla e, obviamente, vai pressionar sua base para votar o valor proposto. Acho que, nesse momento, o caminho mais prudente para nós, do PSDB, é um entendimento com outras forças políticas, em especial as centrais sindicais, para termos um projeto comum, mesmo que não seja aquele de R$ 600 inicialmente apresentado pelo partido. Acho que existem setores que o defendem, mas eu vou trabalhar sempre por uma convergência, para que não tenhamos uma posição isolada.

Senador, sobre a refundação do PSDB, a última entrevista que o senador Aloysio Nunes deu, falando que o senhor não é o candidato natural pelo partido mostrou que ainda há uma desunião dentro do partido. Como vai ser essa refundação, quando ele vai começar, o que o senhor tem defendido, quando começa a reorganizar o partido, agora? Tucano não bica tucano?
Eu particularmente gostei muito da entrevista do senador Aloysio. Tive depois com ele e o cumprimentei, já é um grande avanço percebermos que o PSDB não tem candidatura natural. É isso que queremos, a candidatura tem que ser construídas e construídas com o tempo, e essa não é uma prioridade para mim agora. Minha prioridade é exatamente a construção de uma agenda, dentro de algumas semanas estarei falando ao Congresso Nacional e, certamente, ao país sobre os temas que considero centrais para essa agenda. Não fiz isto ainda porque não quero que seja uma iniciativa isolada e pessoal minha, quero que seja de alguma forma uma iniciativa respaldada por setores importantes do Congresso e de fora do Congresso e do ponto de vista partidário, vamos cumprir o cronograma estabelecido, as eleições dos diretórios municipais já no próximo mês de março e depois os diretórios estaduais em  abril, e em maio renovação da direção nacional e aí também de postura. É preciso, repito, que o PSDB eleja os principais temas que vão  conduzir o nosso discurso daqui até 2014. Candidaturas e eleição presidencial, isso é lá na frente, seria um enorme equívoco botarmos aí o carro na frente dos bois. Portanto, vejo essa posição do senador Aloysio absolutamente convergente com a minha. Não existe candidatura natural no partido. O que temos é que não precipitar os fatos, vamos construir a unidade do PSDB, ela é essencial a nossa atuação  política, vamos construir uma parceria cada vez mais sólida com os nossos aliados da oposição e, quem sabe, no percorrer dessa estrada vamos encontrar outros aliados, outras forças políticas, que de alguma forma se desencantam, se distanciam do atual governo. Eu vejo com muito otimismo o nosso futuro. Vamos trabalhar muito daqui pra lá sem nos preocuparmos com questões pessoais ou com projetos que não representem aquilo que realmente quer o partido.

Senador, uma das críticas da oposição do PT, da situação, principalmente do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre os apagões. E agora vem ocorrendo sucessivamente. Isso vai dar pano pra manga para vocês da oposição, vocês acham que o argumento de apagão começa a desfalecer?
Olha, certamente, esse é um assunto que terá que ser abordado nessa nossa nova agenda e aí, claramente e até reconhecido por técnicos do governo o problema gerencial, de gestão na área de energia. Portanto, teremos muita tranqüilidade, nós da oposição para fazermos, termos uma ação vigilante em torno daquilo que o governo vem fazendo, constatando, comparando com aquilo que foi prometido durante a campanha eleitoral com a realidade daquilo que está sendo executado. Vamos fiscalizar permanentemente, com qualidade, cada uma das ações do governo. Vamos denunciar os equívocos quando eles acontecerem. Vamos cobrar transparência em todas as ações do governo. Eu acho portanto, que a oposição  terá um farto material para trabalhar sempre  pensando no Brasil e até mesmo  buscando convergência com setores da base em temas que sejam realmente  de interesse do país. Tenho dito e vou repetir, a base da nossa proposta é o fortalecimento da federação. Infelizmente, no discurso inaugural dessa legislatura, com a presença da presidente da República, não ouvimos nenhuma menção a necessidade de fortalecermos os municípios, a necessidade de impedirmos que se continue fazendo bondade com o chapéu alheio, permitindo que as isenções fiscais dadas pelo governo federal atinjam a já parca, a já comprometida receita dos municípios e dos estados. O que eu quero é isso, ajudar a construir uma agenda que se contraponha a agenda do governo. A oposição forte é aquela que apresenta suas propostas, que fiscaliza as ações do governo, mas que não se nega a negociar questões de estado. Reforma política, reforma tributária, a própria reforma do estado brasileiro, a questão previdenciária, são  temas que se colocados pelo governo encontrarão sempre a oposição disposta a negociar,  e se não colocadas serão  colocadas por nós.

Senador como o senhor avalia o posicionamento do Kassab, podendo sair do partido?
Isso é uma questão interna.

Essa movimentação do Serra também?
Isso é uma questão interna. A do Serra é mais do que natural.

Quantos cargos foram definidos aí nessa reunião ?
Não estou indicando ninguém. Ele fez um relato de toda a situação de toda a formação do governo. É um governo de continuidade, então é muito natural. Está tudo funcionando, o importante é isso, os órgãos estão funcionando, as empresas estão funcionando e ele vai montando o governo na medida da necessidade. Provavelmente na semana que vem avançará em algumas áreas e eu apenas agradeço a gentileza de ele não me submeter, mas me dar conhecimento sobre o que está fazendo. E ele tem o meu integral apoio em tudo que está fazendo.

Fonte: Com informações da Agência Minas e da Assessoria de Imprensa do senador Aécio Neves

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