Minas Gerais vai produzir mais um medicamento para tratamento da Aids

Este ano a população brasileira tem um motivo a mais para comemorar o 1º de dezembro – Dia Mundial de Combate à Aids. É que o Tenofovir, medicamento importado, de alto custo, utilizado no tratamento de pacientes portadores da doença, passará a ser produzido por um laboratório público do Brasil: a Fundação Ezequiel Dias (Funed).

“Desde que a patente do medicamento expirou, em 2009, a Funed vem trabalhando, em parceria com os laboratórios Blanver e Nortec, no desenvolvimento do produto. Depois de meses de estudos e testes, solicitamos o registro do medicamento junto à Anvisa e, agora, estamos aptos a produzir”, comemorou o presidente da Funed, Carlos Alberto Pereira Gomes.

O Ministério da Saúde considera o Tenofovir um item de interesse público, estratégico para a saúde pública no país. Segundo dados da Coordenação Geral de Recursos Logísticos do Ministério, o Tenofovir é um dos itens mais caros do programa – corresponde a quase 10% dos gastos de tratamento do programa DST/Aids – e é utilizado por mais de 30 mil pacientes em todo o país.

Com a produção pública da Funed, no período de quatro anos, o Brasil poderá ter uma economia de R$ 110 milhões. Além da Funed, o Laboratório Farmacêutico Oficial de Pernambuco (Lafepe), em parceria com a Cristália, está desenvolvendo o produto.

O registro, ou seja, a autorização da Anvisa para a produção pela Funed, foi publicado no Diário Oficial da União no último dia 22. De acordo com a chefe da Divisão de Desenvolvimento Farmacotécnico e Biotecnológico da Funed, Sílvia Fialho, a expectativa é de que o primeiro lote seja produzido ainda este ano. “Esse é um trabalho conjunto, de parceria. Nos testes e desenvolvimento do piloto, a Nortec disponibilizou o ativo e a Blanver e a Funed fizeram a formulação do comprimido”, explica.

Inicialmente, o Tenofovir Funed será disponibilizado em embalagens com 60 comprimidos. “A Fundação terá capacidade para atender a metade de toda a demanda do Ministério. No primeiro ano, esperamos produzir cerca de 13 milhões de comprimidos, com expectativa de chegar, ao final do contrato, a 18 milhões de unidades por ano”, afirma o presidente.

A Funed, laboratório oficial do Estado de Minas Gerais, já produz atualmente outros dois medicamentos antirretrovirais – Nevirapina e Lamividuna + Zidovudina – que compõem o coquetel de tratamento da Aids. A demanda do Ministério da Saúde para 2011 é de seis milhões de comprimidos de Nevirapina e 13,5 milhões de Lamivudina + Zidovudina.

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