Governador Anastasia fala sobre o resultado das eleições

Foto Wellington Pedro / Imprensa MG

Logo após a divulgação dos resultados da eleição presidencial, na noite deste domingo, dia 31 de outubro, o governador reeleito Antonio Anastasia (PSDB) falou aos jornalistas  no Palácio das Mangabeiras. Ouça entrevista:

O governador estava acompanhado do vice-governador eleito, deputado Alberto Pinto Coelho, e deputado federal Rodrigo de Castro, secretário-geral do PSDB, que também falou à imprensa. Confira entrevista:

Abaixo, leia transcrição da entrevista do governador Antonio Anastasia

Entrevista do governador Antonio Anastasia
Assunto: Resultado da eleição 2010
Local: Palácio das Mangabeiras
Data: 31/10/10

SEM REVISÃO

Na opinião do senhor, o que levou à derrota do Serra?
Em primeiro lugar, mais uma vez, registrar a nossa satisfação pela vitória expressiva que tivemos no primeiro turno e lembrando que foi em primeiro turno nas eleições em Minas Gerais, não só para o Governo do Estado, mas também para as duas vagas no Senado e a maioria na Assembleia e a nossa bancada federal, na Câmara dos Deputados.
Em segundo lugar, naturalmente, desejar felicidades à presidente eleita, declarar que vamos ter um relacionamento administrativo, sempre com muita serenidade, como aliás foi o relacionamento do presidente Lula com o governador Aécio e comigo, nesses meses.
Em terceiro lugar, dizer que, como se antevia, nós tivemos uma decisão dos brasileiros e dos mineiros também pela continuidade. Isso já era discutido há mais tempo e percebeu-se que os mineiros decidiram, juntamente com os brasileiros e a maioria dos estados, pela continuidade, ou seja, pela manutenção dos governos estaduais e do governo federal por razões que, naturalmente, serão estudadas e explicadas pelos especialistas. Acreditamos que o nosso candidato, José Serra teve uma boa performance em relação as outras candidaturas nos outros anos e observamos também, com certa satisfação, no caso especial de Minas Gerais, um resultado muito bom aqui em Belo Horizonte, onde basta ver a evolução de 2002, 2006 e agora 2010 que nós tínhamos tido indicadores bem menores do PSDB na capital e agora tivemos a vitória.
E reiterar que, naturalmente, terminada as eleições, é hora de trabalhar e mantermos firmes as nossas disposições.

Fala-se muito, todo mundo tem falado “a presidente mineira, belorizontina” e que será bom não apenas para Belo Horizonte, mas para Minas. Outras pessoas dizem que não, que Dilma esqueceu de Minas, que só agora com a campanha lembrou que é mineira. O que o senhor espera desse governo, dessa mulher, dessa mineira para Minas Gerais?
Em primeiro lugar, eu volto a dizer que a minha função principal como governador de Minas Gerais é apresentar as reivindicações e os interesses de Minas e dos Mineiros. E tenho certeza que a presidente da República tratará Minas como o Estado importante que é. Naturalmente, é mineira e por isso mesmo teve o reconhecimento dos seus conterrâneos também e as grandes obras que nós estamos esperando já há muito tempo, que já foram aqui compromissadas, como a BR 381, o nosso anel rodoviário, o rodoanel, a questão do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, entre outros, devem ser implementados. E nós vamos, juntamente com nossos senadores, juntamente com o vice-governador Alberto Pinto Coelho que está aqui, juntamente com nossos deputados federais, levarmos e continuarmos cobrando e mostrando essa necessidade. Naturalmente, eu faço votos que seja um governo de realizações e que tenhamos esse trabalho que é um trabalho integrado e, volto a dizer, harmonioso, mas sempre com autonomia dos estados, não só Minas Gerais, mas os demais estados, porque vivemos numa federação.

Quais são as prioridades do Estado agora, terminada a eleição com relação a projetos para a Assembleia e também em relação à gestão do Estado?
Em relação ao nosso governo, nós continuamos governando o Estado normalmente, quer no período da nossa campanha eleitoral quer depois da nossa vitória em primeiro turno. Estamos apresentando já os estudos relativos à implementação do nosso plano de governo. Eu disse que aproveitaria esses meses, outubro, novembro e dezembro até a minha posse, em 1 de janeiro, para aperfeiçoar os novos programas e projetos de governo que apresentamos no plano de governo. Isso vai ser encaminhado, alguns projetos, naturalmente, serão apresentados à Assembleia Legislativa, dependem de lei e estão sendo ultimados para que isso fique concluído para o início do mandato.

Minas e São Paulo, dois estados importantes e governados pelo PSDB, dois estados que teriam qual importância numa oposição ao governo federal?
Em primeiro lugar, o nosso partido é de oposição, fará oposição. O nosso senador Aécio Neves, o senador Itamar, do PPS, senador Elizeu, dos Democratas, fará oposição, mas sempre uma oposição que, como nós mineiros conhecemos, sempre de respeito e, volto a dizer, apresentado aquilo que é de interesse do nosso Estado. Agora, o relacionamento administrativo vai existir. Uma coisa é oposição política e outra coisa é o relacionamento administrativo, como eu disse e repito, como nós tivemos com o governo federal ao longo dos últimos anos. Eu acredito que as questões políticas vão existir, mas também haverá o relacionamento administrativo. Eu acredito que a presidente da República, como disse, inclusive, publicamente várias vezes ela própria, manterá com os estados governados por governadores de oposição um relacionamento de respeito e, naturalmente, um relacionamento de integração administrativa.

Alguns políticos do PSDB, como Xico Graziano, por exemplo, estão fazendo declarações públicas de pouco empenho do Aécio, do PSDB de Minas e chamando de lavada o que a Dilma fez aqui em Minas e fazendo reclamações. Como o senhor vê isso?
Eu não vi essas declarações, mas nós observamos, pelos números colocados, que repetiu-se aqui o que aconteceu em 2002 e em 2006. Nós ficamos cerca de 4% em relação a média nacional. Não acho que houve lavada. Na realidade, manteve-se o mesmo percentual do primeiro turno, o empenho foi visto, eu posso até evocar até o depoimento de vocês mesmos do que nós fizemos de esforço.  Mas eu acredito que essa tendência de continuidade ficou muito marcante nessas eleições. E outra coisa importante, é bom lembrar, que eu também já vinha dizendo há mais tempo, inclusive antes da minha eleição no primeiro turno, que nós temos duas esferas. Nós temos uma esfera que é federal, outra esfera que é estadual em relação às eleições também. Então, a questão da transferência de votos, ela se dá muito na respectiva esfera. Tanto assim que o governo Lula, com grande aprovação popular, reconhecimento de mais de 80%, inclusive em Minas Gerais, não teve no seu candidato ao Governo do Estado grande desempenho. Ao contrário, teve 34% dos votos. Então, não se transfere essa questão entre as esferas federal e estadual. Isso é um dado que deve ser sempre analisado pelos especialistas.

O senhor citou os anos de 2002, 2006, as últimas eleições. O que o senhor acha que foi a dificuldade que o PSDB teve nesses anos e também nessa campanha presidencial para conseguir arregimentar esses votos que foram para o PT. Há uma dificuldade que o senhor vê na questão social por tudo que o PT faz nesse sentido, pelo discurso que é colocado, o senhor acha que esse é um ponto que o PSDB precisa apresentar um pouco mais de proposta?
Eu acho que não, porque nós tivemos uma vitória aqui em Minas Gerais com 63% dos votos. Se fosse assim, nossa vitória não seria tão esmagadora como foi, uma vitória massacrante. Ai sim, houve lavada, com quase 30 pontos de frente. Agora, é de observar que as eleições, apesar de ter os mesmos percentuais, tiveram cada qual o seu histórico, As eleições de 2002, todos se lembram foi uma eleição marcada pela vontade de mudança e renovação, que veio depois de oito anos de governo Fernando Henrique, com a eleição de Lula. Depois tivemos a continuidade tanto aqui quanto lá e mais uma vez, agora, com boas condições econômicas e boa avaliação dos governos. E essa questão que há pouco eu mencionei da esfera federal e da esfera estadual. Então, não acredito que haja nenhum equívoco em termos de proposta de programa. Naturalmente, até porque ninguém controla mesmo os votos, os eleitores, felizmente. Nós vivemos uma plena democracia. Então, acredito que não há nenhum equívoco em relação a essa postura, mas é claro que todos os partidos, o meu inclusive, que é o PSDB, deve permanentemente se renovar, já que perdemos a eleição presidencial, fazermos uma avaliação do que não saiu tão bem, o que deve ser aprimorado, verificar as questões regionais. É interessante ver o mapa, eu estava observando agora pela televisão, o mapa do Brasil, a vitória de José Serra no Sul do Brasil, em São Paulo, venceu no Centro-Oeste e em alguns estados do Norte, perdeu com uma margem muito grande no Nordeste. O que significa isso, qual é a força de fato, que programas que têm mais presença no Nordeste? E Minas Gerais acaba sendo, como todo mundo sabe, um reflexo, um espelho da realidade brasileira. Nós somos exatamente esse reflexo, com a vitória de Serra no Sul do Estado, com a vitória maior da Dilma na região Norte do Estado, na região do Jequitinhonha. Então, acaba sendo um reflexo daquilo que ocorre em relação à eleição, em relação a Minas Gerais que é um Estado que se apresenta como uma espécie de um exemplo muito claro do que é o Brasil.

A gente viu no segundo turno uma campanha bastante tensa, acirrada, com acusações de ambos os lados. Essa campanha tensa no segundo turno não poderia prejudicar de alguma maneira o relacionamento com a futura presidente?
Não acredito, até porque de nossa parte não houve e a campanha acabou. Então, temos que pensar nisso. A própria candidata disse ontem em Belo Horizonte sobre isso, o candidato Serra também disse a mesma coisa. Muitas vezes os ânimos podem se acirrar daqui e dali, mas acho que entre os próprios candidatos, eu assisti ao debate, notei entre eles um clima de respeito. Então, naturalmente, a campanha já foi encerrada, agora é hora de trabalhar, de colocar nossas propostas avante, volto a dizer, sempre mantida a autonomia, as posições políticas de cada partido, a presença da oposição que é uma posição firme por parte do nosso partido, mas também colocando, no meu caso específico, os interesses de Minas Gerais sempre em primeiro lugar como governador do Estado.

Depois que quatro anos de governo Dilma, daqui a quatro anos já dá para pensar num tucano forte para as próximas eleições em 2014 e sairia de Minas e São Paulo, na opinião do senhor?
A eleição acabou não tem nem 30 minutos. Então, eu acho que é um pouco cedo para nós cogitarmos isso.

Mas estava rolando um adesivo falando “mais pra frente Aécio presidente”.
Mas isso, naturalmente, isso já estava cogitado aqui em Minas há muitos anos atrás e é natural que as nossas lideranças mais expressivas tenham sempre essa vontade. Mas não é o momento de discutir isso, até porque, como eu disse, não tem nem 30 minutos que foi oficializado pelo Tribunal Superior Eleitoral a vitória da candidata Dilma Rousseff. Isso vai muito tempo pela frente para discutir e, naturalmente, muitas especulações surgirão. Agora é hora, como eu disse, dos cumprimentos à vitoriosa, de mais uma vez celebrar a democracia, que é muito importante, porque é um dado relevante. Nós estamos desde 1989 com as eleições continuadas no Brasil, permanentemente sem problemas. A eleição hoje transcorreu em clima de absoluta e total harmonia, tranqüilidade. Conversei com o comandante-geral da Polícia duas vezes durante o dia e ele me relatou que foi a eleição mais tranqüila da história de Minas Gerais. Isso é muito positivo, que demonstra também maturidade, sobriedade dos nossos eleitores.

O senhor pretende se reunir com ela (presidente eleita, Dilma Rousseff), antes de acabar o ano?
Tem 30 minutos que saiu o resultado. Naturalmente, vou fazer os cumprimentos que devem ser feitos, mas ainda vamos agora tomar os passos aqui no Estado, no primeiro momento e, é claro que vamos ter, volto a dizer, com a presidente um relacionamento administrativo sempre necessário.

Tags: , , , , , ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: