Governador Anastasia preside solenidade de entrega da Medalha Santos Dumont

A solenidade foi realizada na Fazenda Cabangu, onde nasceu Santos Dumont. Foto Wellington Pedro/Imprensa MG

O governador Antonio Anastasia presidiu, nesta terça-feira, dia 26, em Santos Dumont, na Zona da Mata, a cerimônia de entrega da Medalha Santos Dumont. A solenidade foi realizada na Fazenda Cabangu, onde nasceu o aviador. A comenda, concedida pelo Governo de Minas, é uma homenagem a pessoas e entidades que tenham contribuído para o desenvolvimento e o progresso no país.

Durante a solenidade, o governador destacou o exemplo de ousadia deixado pelo mineiro Santos Dumont, e que tem sido a marca de Minas Gerais.

“Nos últimos anos, Minas Gerais tem sido marcado pela ousadia. Em termos de gestão pública, por exemplo, ficamos tão ousados que nos tornamos um modelo internacional, indicado pelo Banco Mundial como um paradigma a ser seguido por outros estados subnacionais. A ousadia apresentou resultados muito concretos. Acho que nós, mineiros, temos na expressão da ousadia, do empreendedorismo, da coragem, do denodo, sentimentos muito fortes à mineiridade. Então, Santos Dumont é um belo exemplo disso, e vamos continuar sempre nessa mesma trilha”, afirmou Anastasia, em entrevista.

O governador afirmou que poucos brasileiros inovaram e foram tão ousados em seus sonhos quanto Santos Dumont. Ele disse que Minas tem procurado seguir esse caminho para dar um salto de crescimento e alcançar um novo patamar de desenvolvimento.

“Precisamos, mais do que nunca, de buscar novos caminhos para antigos problemas, que perpassam diversos governos e diferentes gerações de brasileiros, relegando-nos à posição de promessa permanente, que se renova, mas nunca se realiza. Precisamos parar de contar décadas perdidas e fazermos, juntos, a grande travessia definitiva para um outro e novo patamar de desenvolvimento”, afirmou o governador em seu pronunciamento. 
 
Novos caminhos
O governador destacou que a trajetória de Santos Dumont ensinou a mineiros e brasileiros que não existem metas instransponíveis e desafios insuperáveis. Ele afirmou ainda que é preciso ousar para dar mais qualidade e eficiência à gestão pública.

O vice-governador eleito e presidente da Assembléia Legislativa, deputado Alberto Pinto Coelho, orador oficial da cerimônia, destacou que a realidade de milhares de aviões cruzando diariamente os céus do mundo e transportando milhões de passageiros a cada ano, encurtando distâncias e unindo os povos, começou por meio do sonho precursor de Santos Dumont.

“A partir deste mesmo sonho, irradiou-se pelo mundo a poderosa indústria da aviação com sua impressionante rede de infraestrutura de aeroportos em escala planetária, a geração de milhares de empregos diretos e indiretos e a cada vez mais importante indústria do Turismo, abrindo espaços econômicos estratégicos, como se dá com a internacionalização do nosso Aeroporto Tancredo Neves, em Confins. Tudo isso faz agigantar em nossos olhos o pensamento criador que animou a vida e a obra de Santos Dumont”, disse Alberto Pinto Coelho.
 
Referência
A Medalha Santos Dumont foi criada para comemorar o primeiro voo com uma aeronave mais pesada do que o ar, em 23 de outubro de 1906, pelo brasileiro Alberto Santos Dumont. Nos três graus – ouro, prata e bronze – foram agraciadas neste ano 176 personalidades, entre elas o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Clélio Campolina, e os empresários Alfons Gardemann, da indústria Pado, líder de mercado no setor de cadeados e fechaduras, e Constantino Oliveira Júnior, presidente da Gol Transportes Aéreos.

Para Constantino, receber a medalha tem duplo significado: “É muito motivador para que a gente continue acreditando nos nossos sonhos e naquilo que a gente busca como referência pessoal e profissional. Uma medalha com o nome de Santos Dumont tem um significado duplo pra mim, que hoje atuo na área e faço do avião um pouco daquilo que foi o sonho de Santos Dumont, ou seja, um veículo para aproximar as pessoas”, afirmou.

Leia, abaixo, pronunciamento do governador Antonio Anastasia durante solenidade

MEDALHA SANTOS DUMONT – 2010
Pronunciamento do Governador
 
Boa tarde, senhoras e senhores,
Meus cumprimentos a todos

Permitam-me saudar nosso eminente orador oficial, excelentíssimo presidente da Assembléia Legislativa de Minas, deputado Alberto Pinto Coelho, vice-governador eleito de nosso Estado, a quem agradeço suas palavras em oração oficial que fez aqui, em nome dos mineiros, homenageando Santos Dumont; eminente presidente do egrégio Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Cláudio Renato Santos Costa, na pessoa de quem cumprimento os integrantes do Poder Judiciário aqui presentes; eminente diretor da Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico da Aeronáutica, major brigadeiro do ar Dirceu Tondolo Nôro eminente comandante da 4ª Região Militar, general de divisão Ilídio Gaspar Filho; senhor comandante da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, brigadeiro do ar Carlos Eurico dos Santos; senhor comandante do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica, brigadeiro do ar José Geraldo Ferreira Malta; excelentíssimo presidente do Tribunal de Contas de Minas Gerais, conselheiro Vanderlei Ávila; excelentíssima senhora procuradora geral de Justiça do Estado de Minas Gerais, doutora Maria Odete Souto Pereira, na pessoa de quem cumprimento os membros do Ministério Público de Minas aqui presentes; senhora procuradora geral de Justiça do Estado do Maranhão, que gentilmente nos visita, doutora Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro; eminente deputado federal Luiz Fernando Faria, na pessoa de quem cumprimento os parlamentares federais e estaduais presentes; prefeito municipal de Santos Dumont, Evandro Neri a quem agradeço as palavras e cumprimento na sua pessoa os prefeitos municipais de Minas aqui presentes; senhor presidente da Câmara Municipal de Santos Dumont, vereador Flávio Henrique de Faria, na pessoa de quem cumprimento os vereadores aqui presentes; magníficos reitores da Universidade Federal de Minas Gerais professor Clélio Campolina Dinis e da Universidade Estadual de Montes Claros professor Paulo Cézar Gonçalves de Almeida; eminente secretária de Estado de Turismo, Érika Drumond na pessoa de quem cumprimento todos os integrantes de nosso governo e uma menção especial ao doutor Jorge Henrique Dumont, sobrinho neto de Santos Dumont que aqui representa sua família;
 
Senhores agraciados com a Medalha Santos Dumont 2010, integrantes do Conselho da Medalha, convidados, familiares, autoridades, senhoras e senhores 
 
Mineiros,
 
Aqui estamos, hoje, uma vez mais reunidos, para cumprir o rito, tão caro a Minas, de manter viva a nossa história.
 
É nossa obsessão permanente aquecê-la e revigorá-la no cenário da contemporaneidade, reverenciando a memória e os valores daqueles que nos fizeram brasileiros tão incomuns.
 
Assim o fazemos quando revisitamos a Inconfidência Mineira e Tiradentes, onde floresceu o sonho do Brasil livre e soberano.
 
A partir dela, também lembramos a reconquista da liberdade com Tancredo e seus companheiros, que marcharam nas ruas, ao lado do povo, para que então pudéssemos retomar a história interrompida por duas longas décadas de obscurantismo e exceção.
 
O simbólico Dia de Minas é a data em que procuramos reunir o nosso legado atemporal, que fortalece em cada um de nós – e sinaliza às futuras gerações – os deveres para com o País e a busca da Pátria tão sonhada.
 
Com a Medalha Juscelino Kubitschek, retomamos os nossos legítimos sonhos sobre o desenvolvimento e a nacionalidade, trazendo ao nosso tempo a idéia de que só há um caminho para avançarmos: se avançarmos juntos, em torno das grandes causas nacionais.
 
A Medalha Santos Dumont, que concedemos hoje às personalidades aqui presentes, as quais cumprimento e agradeço pelos inestimáveis serviços que vêm prestando a Minas e ao Brasil, tem muitos e densos significados.
 
Permito-me aqui uma palavra especial de cumprimento aos dirigentes das empresas aéreas que acreditam em Minas Gerais.
 
Desejo destacar, nesta oportunidade, dois deles: a ousadia e a inovação.
 
Poucos brasileiros foram tão ousados em seus sonhos quando o mineiro Alberto Santos Dumont.
 
Nascido neste sítio de Cabangu, em 1873, seu pai, engenheiro de obras públicas, logo percebeu o fascínio do filho pelas máquinas da fazenda e direcionou os seus estudos para a mecânica, a física, a química e a eletricidade.

Com 18 anos e já emancipado, ele foi para a França completar os estudos e perseguir o seu sonho de voar.
 
Em Paris, admirou-se com os motores à combustão que  impulsionavam os primeiros automóveis.

Em 1897 fez seu primeiro vôo num balão alugado.
 
Um ano depois, já subia ao céu no balão Brasil, construído por ele mesmo.
 
Procurava com determinação a solução para o problema da dirigibilidade e a propulsão dos balões.
 
Projetou então o seu número 1, em forma de charuto, com hidrogênio e motor a gasolina.

Em 1898 realizou o primeiro vôo de um balão com propulsão própria.
 
O sucesso de Santos-Dumont chamou a atenção do milionário Henry Deutsch de la Muerte, que ofereceu um prêmio de cem mil francos a quem partisse de Saint Cloud, contornasse a torre Eiffel e retornasse ao ponto de partida em 30 minutos.

Em 19 de outubro de 1901 ele cruzou a linha de chegada com o seu número 6.
 
Santos-Dumont não parou aí, continuou construindo seus dirigíveis. O numero 11 foi um bimotor com asas e o numero 12 parecia um helicóptero.
 
Em 1906 foi instituída a Taça Archdeacon para um vôo mínimo de 25 metros com um aparelho mais pesado que o ar, com propulsão própria.
 
O Aeroclube de França também lançou o desafio para um voo de 100 metros.

Em 23 de outubro de 1906, data magna da aviação, no Campo de Bagatelle, o 14-Bis voou por uma distância de 60 metros, a três metros de altura e conquistou a Taça Archdeacon.
 
Uma multidão de testemunhas assistiu eufórica a proeza e no dia seguinte toda a imprensa louvou o fato histórico.
 
O dinheiro do prêmio foi distribuído para seus operários e os pobres de Paris, como era o seu costume, de Santos Dumont.

Em 12 de novembro de 1906, na quarta tentativa, conseguiu realizar um vôo de 220 metros, estabelecendo o primeiro recorde de distância e ganhando o Prêmio Aeroclube de França.
 
Não satisfeito construiu  uma nova série, de tamanho menor, chamadas Demoiselles.

Santos-Dumont recebeu diversas homenagens na Europa e nas Américas pelo grande feito.
 
Com o início da primeira grande guerra mundial, aeroplanos começaram a ser usados nas batalhas e Santos Dumont entristecido, amargurou-se ao ver sua invenção apropriada para finalidades bélicas e esta contradição marcou todo o fim de sua vida.
 
Senhoras, senhores,
 
A trajetória do mineiro Alberto Santos Dumont nos deixou um importante significado simbólico, de determinação, ousadia e crença no que acreditamos.
 
Ela nos ensina que não há metas intransponíveis, desafios insuperáveis e sonhos irrealizáveis.
 
É uma lição de ousadia e inovação que fala ao contraditório Brasil do nosso tempo.
 
Precisamos, mais do que nunca, de buscar novos caminhos para antigos problemas, que perpassam diversos governos e diferentes gerações de brasileiros, relegando-nos à posição de promessa permanente, que se renova mas nunca se realiza.
 
Precisamos parar de contar décadas perdidas e fazermos, juntos, a grande travessia definitiva para um outro e novo patamar de desenvolvimento.
 
Não o faremos montados em ilusões ou mero ufanismo que inflam as percepções as perspectivas sobre um novo País.
 
Precisamos ir avançando no saneamento, na educação, na saúde, na segurança, na infraestrutura, e, portanto, senhoras e senhores, temos pela frente uma grande e longa jornada de aperfeiçoamento para que sejamos finalmente o país que queremos e sonhamos.
 
O voo que inaugurou os sonhos tão acalentados pelo mineiro Santos Dumont, em outro patamar é o voo que também sonhamos para o País inteiro.
 
Um voo que só será possível se garantido por instituições fortes e responsáveis.
 
Por governos sérios, éticos, eficientes e republicanos, capazes de conduzir uma ampla e nova agenda coletiva nacional.
 
Por uma justiça célere e respeitada.
 
E por uma população que não se contente com mais do mesmo, com o que já foi conquistado pelo trabalho de todos nós, mas que avance e prossiga.
 
É hora, pois, de avançarmos mais.
 
Não há nenhuma justificativa razoável para sermos ainda detentores de tão profunda e triste desigualdade.
 
Os grandes avanços dos anos 90, com o fim da hiperinflação e a conquista da estabilidade econômica, seguida de continuada transformação no campo social, não podem ser apenas meros marcos de conquistas, mas sim, estímulo fértil ao enfrentamento dos grandes desafios estruturais do Brasil.
 
Minas, nos últimos anos, não ignorou essa responsabilidade.
 
Pelo contrário.
 
Andamos, juntos, à frente do nosso próprio tempo, experimentando, mudando paradigmas antigos, reformando processos, intervindo fortemente na realidade.
 
Provamos, com resultados concretos, que podemos fazer sempre muito mais, quando não nos omitimos frente às desigualdades e às injustiças;
 
Quando não aceitamos os limites impostos pelo tempo.
 
Quando não nos acovardamos perante os desafios.
 
Quando não tememos o compartilhamento das responsabilidades.
 
Quando fazemos das nossas crenças, a nossa profissão de fé.
 
Assim como estamos transformando Minas, aceitamos e acreditamos que juntos sempre podemos também transformar o Brasil.
 
Lembro, a este respeito, sempre com muita reverência, as palavras de Tancredo Neves:
 
A Pátria não é mero argumento de ocasião.
A Pátria é tarefa diária.
Tarefa coletiva e compartilhada.
 
Nos sentimos honrados em guardar e lembrar o legado de ousadia e inovação de Alberto Santos Dumont e reconhecer, com esta medalha, o mérito de tantos que deram a sua contribuição a Minas e ao País.
 
Que a ousadia e a inovação presentes na alma e no imaginário de Minas e no pequeno menino Alberto também nos permitam novos e definitivos vôos em direção ao nosso grandioso destino.
 
Muito obrigado e parabéns a todos!

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