Cai participação da indústria na riqueza do País

Para José Serra, falta ao país uma política nacional de desenvolvimento

O Brasil enfrenta um processo inverso ao mundo em desenvolvimento e caminha para uma desindustrialização, com a crescente exportação de produtos de origem primária e a falta de competitividade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), o peso da indústria no Produto Interno Bruto caiu para 17%, voltando ao patamar de 1947. Em 2008, esta participação era de 27,3%  e já havia caído para 25,4% no ano passado, segundo o IBGE.

O candidato à Presidência, José Serra, alerta que o desafio do próximo presidente está em definir se o Brasil seguirá a rota de uma economia baseada apenas nas exportações de matéria-prima ou se vai voltar a ter um modelo de desenvolvimento focado na indústria. “Falta uma política nacional de desenvolvimento”, explica Serra.

A indústria recuou ainda em relação à pauta de exportações. Os produtos manufaturados (39,7%) estão com uma fatia menor nas exportações do que os básicos (44,2%). Contrariamente ao que defende o ministro Guido Mantega (Fazenda), o economista Roberto Padovani afirma que o risco de “desindustrialização é cada vez mais eminente”.

Nessa segunda-feira, Mantega negou que o Brasil passa pelo processo de desindustrialização. “O que estamos vendo é um aumento da participação de serviços no Produto Interno Bruto (PIB).” A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também discorda e segundo o seu presidente, Benjamin Steinbruch, a indústria está sendo diluída em função do crescimento de outros setores.

Renato Bitter, empresário do setor têxtil afirmou ao Jornal da Dez, da Globo News, que a desvalorização do dólar tem castigado o setor. Como exemplo, em média, ele destacou que o quilo de um tecido é vendido a R$ 55,00. Com o dólar a R$ 1,70, o produto chega lá fora a US$ 32,00. Já se a cotação da moeda americana fosse R$ 2, o mesmo produto seria vendido no mercado externo a US$ 27,50. A conclusão do setor é: à medida que o dólar se desvalorizou, foi preciso aumentar os preços dos produtos.

Preocupado com a falta de competitividade, Serra promete fazer uma política de defesa comercial, “porque o Brasil atua com burrice nesta área”. “Produto chinês paga metade do preço, entra e paga por fora. A mercadoria importada não paga imposto e a produção nacional paga”, afirma.

Padovani concorda que o risco de desindustrialização está atrelado ainda à falta de infraestrutura. “Os aeroportos estão saturados, operando no limite; as estradas estão em situação precária; e os portos apresentam problemas de diversas naturezas, fazendo com que os produtos fiquem parados por até semanas.”

Considerado como um dos principais entraves para a exportação, os portos brasileiros apresentam problemas variados. Para citar um exemplo, no porto de Santos, o tempo de espera para embarque passou de uma semana para 40 dias. E, só no cais santista, 47 navios esperam para atracar e embarcar dois milhões de toneladas de açúcar. “São problemas como esses no porto de Santos que aumentam o risco de desindustrialização”, conclui Padovani.

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