Aécio Neves concede entrevista após encontro com Antonio Anastasia

Confira, abaixo, a transcrição da entrevista do ex-governador Aécio Neves após encontro com o governador Antonio Anastasia.

Local: Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte

Transcrição

Em primeiro lugar eu queria dizer de minha alegria em estar de volta depois de um descanso e reencontrar aqui, essa visita tem um sentido simbólico, o presidente Itamar e o governador Anastasia, companheiros de uma grande trajetória, pretérita mas também futura, e quero dizer  que volto extremamente animado. Animado com o quadro que vejo. É natural que nós estejamos vivendo o tempo de algumas ansiedades, mas eu estou absolutamente convencido de que nós vamos, em MG, ter um excepcional resultado, tanto dando a vitória ao governador Anastasia, porque isto é o melhor para MG, quanto também dando a vitória aqui ao presidente José Serra. Fala-se muito em governantes transferirem votos, tanto no plano federal como no plano estadual. Acredito que em parte isto é verdadeiro, mas isso jamais será definitivo. O eleitor vota a partir da realidade que vê para a sua vida. A minha confiança na vitória de Anastasia e Serra é muita óbvia e simples. Parte do pressuposto de que ambos são as melhores alternativas tanto para MG, para dar continuidade ao projeto transformador que vem ocorrendo em MG desde o governo Itamar Franco, e José Serra, sem demérito nenhum para os nossos adversários. José Serra é hoje o homem mais preparado hoje para governar o Brasil. E eu estarei ao seu lado como sempre estive. Acho que ninguém já deu mais demonstrações de visão de partido, de país do que eu, a medida que eu abro mão da pré-candidatura eu faço isso para garantir a unidade partidária e para me aliar ao companheiro José Serra. Só que a minha decisão, ela não pode ser tomada a partir de opiniões pessoais, até de boas intenções de alguns companheiros, elas são legítimas, mas a minha decisão tem que ser tomada a partir de uma análise muito profunda que eu faço do cenário político. Estou absolutamente convencido de que a melhor forma para ajudar a dar a vitória ao governador Anastasia e a MG – que a sua vitória é a vitória de Minas Gerais – e ao companheiro e amigo governador José Serra, é estando em MG como candidato ao Senado. Não houve nenhuma modificação no cenário, é preciso que essas ansiedade sejam contidas, nós temos o melhor candidato, o melhor projeto para o país, e eu estarei como candidato ao Senado por MG dando o meu suor e meu sangue para a vitória desse projeto e obviamente, eventualmente, ao lado do companheiro Serra, estarei viajando pelo Brasil, mas como mais um companheiro do partido ajudando no que for necessário. Portanto é hora de termos muita serenidade, hora de estarmos organizando aqui o nosso palanque. Nós temos uma ampla aliança em Minas Gerais, vamos nos dedicar nos próximos dias, ao lado do presidente Itamar e do governador Anastasia, a consolidar essa aliança e o que eu posso dizer, e repito aqui, que volto extremamente animado porque estou convencido de que nós temos todas as condições de vencer em MG e vencer no Brasil.


Quem seria o vice ideal de Serra? O sr. vai ajudar na costura?
– Eu vou estar à disposição dele para ajudar no que for necessário. Eu, além de admirador do governador Serra, sou seu amigo, sou seu companheiro e se não visse nele as condições de ser um grande presidente da República talvez eu estivesse na disputa. E abdico da disputa, eu faço isto na direção da unidade do partido. Eu acho que meus gestos ao longo da minha vida demonstram uma visão muito maior de país e dos interesses de Minas do que o do meu interesse pessoal. Portanto, caberá a direção dos partidos aliados e obviamente ao candidato José Serra encaminhar a decisão em relação a composição da chapa e isso será feito com muita serenidade até o prazo final.

Essa pressão para que o Sr. seja o vice não pode acabar criando a figura de um candidato a vice de segunda categoria?
– Não acredito. Nós temos nomes extraordinários em nosso campo. Nós vamos trabalhar isso com muita tranqüilidade. Repito: caberá ao governador José Serra conduzir este processo ao lado dos dirigentes dos partidos aliados. Eu volto sereno, animadíssimo, com uma disposição enorme de percorrer toda MG, de estar ao lado do governador Serra aonde for necessário fora de MG, mas, repito, a minha decisão parte de convicção. Não se pode fazer política, não se deve fazer política se não se tem convicções. A minha convicção é a de que a melhor forma de ajudá-lo é estando aqui em MG.


Alguns analistas estão vendo que o discurso de pós-Lula não funcionou muito, Serra acabou caindo. O Sr. também já defendeu algumas políticas do gov.federal. O Sr. acha que devia adotar um discurso de continuidade do Lula ou partir para o ataque como o candidato parece que tem intenção de fazer?

– O discurso, a meu ver, tem que ser um discurso realista. Não devemos temer reconhecer os avanços que ocorreram no governo do presidente Lula. Até porque grande parte destes avanços ocorreu em razão dos governos anteriores. Não teria havido o governo do presidente Lula com os resultados que apresenta hoje se não tivesse havido o presidente Itamar Franco e o Plano Real, se não tivesse havido o presidente Fernando Henrique que modernizou a nossa economia, que introduziu aspectos importantes, como a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não teria havido o governo do presidente Lula se não tivesse iniciado ainda no governo do presidente Itamar os programas de transferência de renda, os programas sociais que lançaram no governo do presidente Fernando Henrique e continuaram no governo do presidente Lula, e ao mesmo tempo nós temos que ter a coragem de apontar os equívocos deste governo. Então, acho que o discurso é reconhecer que avanços ocorreram, mas que os avanços poderiam ter sido muito maiores se não tivéssemos um estado tão aparelhado, se nós tivéssemos uma ousadia no que diz respeito à política monetária, portanto com uma queda mais rigorosa da taxa de juros, no momento que isto foi possível. Portanto, o nosso discurso não tem que ser o de tratar, como costuma fazer o PT, o adversário como inimigo. Nós temos que demonstrar é que a nossa experiência administrativa, a nossa visão de país e de mundo interessa mais ao Brasil hoje do que a continuidade do atual governo.


O Sr. está ao lado de um grande aliado seu à sua chegada ao Palácio da Liberdade, inclusive a pessoa que o Sr. está trabalhando para ser seu sucessor. Dentre destes nomes extraordinários que o Sr. vê como vice, o nome do ex-presidente Itamar Franco já foi citado, já foi cotado fortemente como possível vice e seria uma opção pra unir Minas e São Paulo. O Sr. acha que esta é uma opção possível?

– Olha, eu repito: caberá ao governador José Serra, nosso candidato a presidência da República e ao partidos aliados essa definição. Mas sempre que se falar de Itamar Franco está se falando de ética, dignidade e dos mais extraordinários homens públicos que eu conheci ao longo de toda a minha trajetória. Um homem que tem condições de ser candidato ao que quer que seja, à presidência da República, à vice-presidência da República, ao que quer que seja. Mas essa é uma decisão, claro, que cabe a ele e aos partidos aliados. Mas vejo nele as condições de onde estiver honrar MG. O que eu posso garantir é que o palanque onde estiver o presidente Itamar Franco será o meu palanque. Palanque do governador Anastasia será o meu palanque, porque eu acho que as pessoas claramente ao longo da campanha saberão compreender que não se governa sozinho. É preciso compreender o caráter, a personalidade, o histórico e o passado daqueles que estão unidos. E vou dizer aqui algo que, é claro, eu acompanhei o noticiário mesmo durante a minha viagem, e acho que com relação a MG a posição do governador Anastasia não é boa não, é extraordinária, porque ele tem um conhecimento em torno de 25% e tem os votos espontâneos – na intenção de votos espontâneos – que hoje é mais importante – o mesmo que tem o outro candidato que apresenta um nível de conhecimento acima de 80%. Isto não é bom não, isto é extraordinário. Se nós somarmos isto ao trabalho, à obra de governo que juntos nós construímos em Minas Gerais e que é aprovada pela ampla maioria da população e pela personalidade, pela correção, pela seriedade, pela simplicidade do Anastasia, nós temos uma chance extraordinária de vencer estas eleições e quero vencê-las em Minas no primeiro turno.


O senador Hélio Costa disse que houve maquiagem no Choque de Gestão. Como é que o Sr. responde a isto?

– Eu não vou responder ao senador Hélio Costa. Eu prefiro ficar com suas avaliações antes de se colocar como candidato e eram muito positivas com relação ao governo. Ele pode estar um pouco distanciado da realidade do estado e recebendo algumas informações equivocadas. No momento em que ele começar a conviver mais com MG, nas suas regiões, com os avanços que ocorreram, certamente essa posição mudará.


Primeiro eu queria saber se o palanque do PSDB e do PPS já está formado aqui: o candidato a governador e os dois candidatos a senador?  Segundo eu queria saber se o Sr. considera que toda essa pressão que surgiu nos últimos dias, a partir das pesquisas que mostraram empate técnico da candidata Dilma, isso pode ser interpretado como insegurança do PSDB hoje?
Só para complementar, governador, o presidente falou até (inaudível) em patriotismo …

– Chega a ser até uma piada, né. Ninguém teve mais gesto de generosidade tanto do PSDB em torno de nosso projeto do que eu, né. Isto acho que vocês próprios podem ser testemunhas disso. Em relação à MG, esse é o caminho natural, bem possível que os dois ex-governadores e o atual governador estejam juntos nas candidaturas majoritárias. Obviamente vamos aí aguardar o prazo final para estas definições. Mas me orgulhará muito poder caminhar por MG ao lado do governador Itamar Franco e do governador Anastasia. Porque é preciso que na política você não pense apenas no resultado eleitoral, no melhor conchavo, naquele que amplia mais sua aliança. Mas naquele que dá mais consistência e conteúdo a ela. Onde quer que nós andemos por MG nós todos aqui vamos estar de cabeça erguida porque nós vamos olhar para o lado e nós vamos encontrar isto: ética, seriedade, competência, resultados. Eu não temo uma eleição onde nós temos na largada essa base, o trabalho feito, o reconhecimento da população e estes homens extremamente dignos a apresentar novas expectativas da população. Em relação à questão nacional, repito, essas ansiedades são naturais. A campanha pra valer começa depois da Copa do Mundo, mas a decisão do eleitor, a meu ver, começa a se consolidar a partir do início da propaganda eleitoral. É ali que nós vamos universalizar as informações. É ali que nós vamos estabelecer o contraditório. Desmascarar falsas teorias. Com o quê? Com resultados concretos, com realizações, com dados. Eu não temo absolutamente o que está por vir. Tanto no plano nacional quanto no plano estadual. Porque eu vou repetir: nós temos os melhores candidatos. Anastasia é o melhor nome para Minas e José Serra, repito sem demérito para os outros nomes que estão na disputa, é quem está mais preparado hoje para fazer o Brasil avançar, vou repetir o que ele tem dito, muito mais. E estou com ele porque estou convencido disto, estarei em Minas ao seu lado porque é onde eu posso ajudá-lo mais. Eu vou encerrar aqui mas eu acho que era muito importante vocês ouvirem sobre esta questão Minas em relação, até a minha questão pessoal, a palavra experiente do presidente Itamar Franco.


Governador, mas se o senhor é tão importante, na poderia reverter isso, o Serra vice e o senhor presidente?

– O nosso tempo já passou e o nosso candidato é José Serra e terá todo o meu apoio e é o melhor candidato.


Itamar Franco:


Fala um pouco pra gente sobre o quadro político aqui em Minas Gerais, o senhor concorda com o governador Aécio Neves sobre essa posição do governador Anastasia?

– Primeiro a observação do governador Aécio. O governador Aécio, como vice, faria uma campanha que não é possível. Uma campanha de beija-flor, iria de vez em quando bicar aqui, e ia e bicar lá. Ao contrário, nós precisamos vencer. No temos o melhor candidato, o homem melhor preparado, é um homem simples, é um homem humilde. Os governadores de Minas têm que ter essa sintonia com o povo, não pode ser qualquer, tem que ser um homem da dignidade do governador Anastasia. Como foi a governança de Aécio e quase todos os governadores de Minas. Portanto eu acho que ele está certo, tem que se dedicar primeiro aqui. Campanha beija-flor ele pode fazer lá pro governador Serra em outros estados. Mas em Minas não. Porque é fundamental, fundamental, e nós acreditamos nisso, na vitória do governador Anastasia, ela é muito significativa, porque não se pode perder tanto esforço que ser fez aqui em Minas, sobretudo no sentido ético em Minas Gerais. Eu aprendi em muitos anos que se você não quer falar mal do adversário, tudo bem, esquece o adversário. Não adianta se preocupar com o adversário A, B ou C, porque nós vamos entender que o adversário é adversário. Se o governador Serra não quer falar mal do presidente Lula, fica quieto. Se começa a elogiar muito o presidente Lula o pessoal começa  a perguntar, porque vamos mudar. Aprenda como o governador Aécio, deixa o barco correr. O governador Aécio não pode ser candidato a vice-presidente o combate é necessário, repito, ele não pode ser um beija-flor em Minas Gerais.


Presidente, o senhor já resolveu se vai ficar com o Serra ou a Dilma, já definiu?

– O meu partido, que é o PPS já escolheu que é o governador de São Paulo, José Serra. Se adiantou até contra a minha previsão, mas de adiantou e deu apoio, e eu vou cumprir a determinação partidária.


Vai cumprir mesmo a contragosto?

– Há tanta determinação que a gente cumpre… o que queremos aqui é ao lado do governador conquistar o governo de Minas, mais importante.


A sua candidatura ao senado? Parece que o senhor está no aguardo também.

– Vai depender. Eu tenho que esperar, não posso dizer que sou candidato ao senado se ainda não fecharam a chapa. Evidentemente que nem pré-candidato eu sou.


E com relação a ser candidato a vice de Serra, o senhor preferiria ser candidato ao senado?

– Nunca fui cogitado a ser vice de Serra.


Mas tiveram conversas…

– Não podemos ficar no se se….

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